sexta-feira, 8 de maio de 2020





          A chuva para, o vento frio e cortante resseca seus lábios, batom manchado, a língua passa e uma leve mordida deixa uma gota de sangue, ela aprecia.
O casaco de coro de interior felpudo abraça sua pele. Protegida em baixo de um toldo ela estende sua mão direita, macia com unhas delicadamente desenhadas, as últimas gotas de chuva caem em seu pulso deslizando sobre uma cicatriz, arrepio.
Já posso ir pensa, o vazio da rua à deixa insegura, nada tem a perder, não sentiriam sua falta se algo acontecesse. Olha para trás, o bar vazio, pensa em tomar mais um trago, o último, amarga é a culpa que sobe em forma de hálito. Olha para o chão, vê seu rosto refletido na água, maquiagem borrada e um olho roxo que esconde com uma mecha de seu cabelo negro e liso. O sapato mergulha, o reflexo de seu rosto se desfaz, sua alma vai junto. Não pode olhar em frente, sua culpa a impede, a cada passo um fragmento do que ela costumava ser se desfaz, ela se abandona, uma lagrima cai, está presa entre um horizonte impossível e um presente refletido em aguas sujas.

terça-feira, 5 de maio de 2020

A ausência de luz - Jornal da Orla


           Brancos de inexistências invadem minha mente, incontrolável sensação, será que vou para outra dimensão? tenho medo do vazio, cicatrizes pelo corpo brancos que mancham, pele ralada, minha doce amiga que me acompanha, já não luto com você, sou você, somos um, apesar que nem sempre me visitas e quando vem breve é nosso encontro, não suportaria muito mais de uma hora com você, minhas mãos perdem o tato meus olhos viram, não de prazer mas de resignação, tens uma forca que quanto mais luto mais forte ficas, te deixo para que me possua, deito e espero, mais um branco e outro, vazio, pequenas mortes sem de fato ir.

domingo, 3 de maio de 2020

  Loucas, sagradas, profanas - Mulheres que Escrevem - Medium

me banho em superficialidades,  quero  sentir que sou parte do todo, sigo o rebanho até que aprenda a habitar amigavelmente com a solidão. 

sábado, 2 de maio de 2020

Dois Gatos


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Ele gosta de participar de qualquer coisa que fazemos, gosta de dar bom dia e gosta de assustar, quando você esta distraído ele aparece querendo ajudar, está ali, com seus pelos negros pose de pantera, colar de bichinhos que brilha de noite quando ele sai a farrear, ele é amigo de todos do bairro, sabe lá quais aventuras que por lá sabe onde ele deve andar. Seu entusiasmo só termina quando em um canto imperceptível com um olhar fulminante o faz congelar sua irmã Jacira sob o luar.

quinta-feira, 30 de abril de 2020

Alguma vez ao escutar as notas embriagadas do pássaro negro encontramos seu verdadeiro som? Realmente escutamos o que ele tinha para dizer ou ficamos presos aos estereótipos da aparente insanidade de um voador que parecia perdido, mas que estava confortável em seu fluxo entrópico, somente uma breve volta com ele de mãos dadas pelo parque é necessária para perder-nos, e assim, por fim, conhecer quem realmente somos, nos espelhamos em suas melodias tentando abrir o portal para o mundo sem tempo com acentos sincopados de Bebop, ele sempre voa mais alto.

domingo, 11 de março de 2018

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Perdido nas lagrimas da solidão andante que não tem medo de mudar,mudar para que não se sabe mas isso vem de uma forma estranha,sem controlar,simplesmente sai,o que passaria se tudo acaba agora,que iria a meu enterro,quem chorraria a falta de minhas notas,alguns por algum tempo talvez,mas se tudo se acaba,se acaba.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

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Das cadeias sujas e agoniantes onde os libertos de espírito  param depois de sua primeira morte o cheiro da esperança pela liberdade é a única coisa que caminha livremente pelos corredores da amargura.

          A chuva para, o vento frio e cortante resseca seus lábios, batom manchado, a língua passa e uma leve mordida deixa uma gota ...